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Declaração à imprensa concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após 3ª Cúpula dos BRICS

por Portal do Planalto publicado 14/04/2011 19h53, última modificação 04/07/2014 20h05
A Cúpula marca o ingresso da África do Sul no agrupamento, o que amplia a representatividade geográfica do mecanismo em momento em que se busca, no plano internacional, a reforma do sistema financeiro e, de modo geral, maior democratização da governança global

 

Sanya-China, 14 de abril de 2011

 

Senhores jornalistas, senhoras jornalistas,

Senhor presidente Hu Jintao,

Senhor presidente Dmitri Medvedev,

Senhor presidente Jacob Zuma,

Senhor primeiro-ministro Manmohan Singh,

 

É para mim uma grande alegria participar, como presidente do Brasil, da 3ª Cúpula dos BRICS, nesta bela ilha de Hainan.

Alegria dupla pela participação, nos BRICS, do presidente Jacob Zuma, da África do Sul. Passamos, assim, a gozar de uma valiosa perspectiva africana no amplo temário que nos reúne.

Vejam as ironias da história. Até pouco tempo atrás, BRICS era apenas uma sigla inventada por um economista do sistema financeiro. Mas a história nos atribuiu responsabilidades crescentes.

Hoje, BRICS evoca um grupo de países que revelou sua força e seu dinamismo no contexto da mais grave crise financeira desde 1929. Nossos países reúnem quase 3 bilhões de habitantes. Mesmo antes da entrada da África do Sul, o FMI já previa que seríamos responsáveis por cerca da metade do crescimento mundial entre 2008 e 2014.

Compartilhamos visões semelhantes sobre o crescimento econômico com justiça social. Crescemos com distribuição de renda, equilíbrio macroeconômico e redução da vulnerabilidade externa. Acreditamos que a prosperidade verdadeira só pode ser a prosperidade compartilhada por todos. Estamos empenhados em garantir o desenvolvimento ambientalmente sustentável de nossas economias.

Saudamos a África do Sul pela Conferência do Clima, neste ano, em Durban, e seremos nós, o Brasil, a recolher a próxima Conferência do Clima, em 2012, na Rio+20.

Sabemos que nenhuma nação, por mais poderosa que seja, pode superar seus desafios sozinha. Queremos somar esforços para promovermos nossas relações econômico-comerciais, científicas e tecnológicas, educacionais e culturais.

Desejamos que nossa cooperação se reflita no incentivo à educação de qualidade. Somente ela nos dará capacidade de inovação e desenvolvimento científico e tecnológico para assegurarmos uma inserção soberana na economia global, cada vez mais interdependente.

Ademais, estamos cientes de que a paz e a segurança estão intimamente associadas ao combate à fome, ao desenvolvimento e à criação de oportunidades para homens e mulheres e, em especial, para os jovens.

Estamos engajados na criação de uma ordem institucional multipolar, sem tentações hegemonias ou disputa por áreas de influência.

O BRICS não se organiza contra nenhum grupo de países. Na verdade, trabalhamos por mecanismos de cooperação e governança global sintonizados com o século XXI. Isso é valido para as instituições financeiras, como o Fundo Monetário e o Banco Mundial, que precisam dar continuidade à reforma de sua governança, bem como renovar suas instâncias dirigentes.

O mesmo deve ser dito em relação à paz e segurança internacionais. Por isso, a reforma da ONU e de seu Conselho de Segurança são essenciais. Não é possível que, ao iniciarmos a segunda metade do XXI, ainda estejamos atrelados a formas institucionais erguidas no pós-guerra. Estamos, todos os BRICS, no Conselho de Segurança das Nações Unidas em 2011, onde podemos desenvolver trabalho conjunto, sempre no entendimento de que o recurso à força não pode ser precipitado. A diplomacia e a negociação devem ser privilegiados.

A criação do G-20 representou um avanço e um primeiro sinal de reconhecimento da necessidade de mudanças na governança global. Queremos intensificar nossa coordenação nos temas tratados no âmbito do G-20, mantendo abertura ao diálogo, no que se refere à aspiração de todos os países em desenvolvimento.

Este é um grupo que deseja uma ordem internacional solidária. Solidariedade entendida como capacidade de promover prosperidade não só em benefício próprio, mas também dos menos desenvolvidos.

Nossa agenda não se define, portanto, por oposição a nenhuma outra agenda. Queremos agregar. Acabamos de adotar a Declaração de Sanya, com pontos extremamente relevantes, e traçamos um plano de ação que nossos ministros e nossos governos traduzirão em ações concretas.

Agradeço a parte chinesa pela liderança demonstrada nesta Cúpula. Com satisfação, antecipo nossa participação na próxima reunião na Índia, em 2012.

Saio deste encontro particularmente otimista em relação à nossa parceria e a seu futuro.

 

Ouça a íntegra da declaração à imprensa (05min32s) da Presidenta Dilma 

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Assunto(s): Governo federal