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Brinde da presidenta da República, Dilma Rousseff, durante almoço oferecido pelo presidente do México, Enrique Peña Nieto - Cidade do México/México

por Portal Planalto publicado 26/05/2015 20h17, última modificação 27/05/2015 11h54

Cidade do México-México, 26 de maio de 2015

 

 

 

Excelentíssimo Senhor presidente Enrique Peña Nieto, presidente dos Estados Unidos do México,

Senhor Miguel Barbosa Huerta, presidente do Senado da República Mexicana,

Deputado Julio Cesar Moreno Rivera, presidente da Câmara dos Deputados,

Senhoras e Senhores ministros de Estado, e integrantes das delegações do México e do Brasil,

Senhoras embaixadoras e embaixadores acreditados junto ao governo mexicano,

Senhoras e senhores governadores  de entidades federativas mexicanas,

Senhoras e senhores representantes dos meios acadêmico, artístico e empresarial,

Senhoras e senhores,

 

Renovo minha gratidão, e a dos que me acompanham, pela calorosa acolhida que nos foi dispensada pelo povo e pelo governo mexicanos.

Infelizmente, minha chegada a esse país maravilhoso coincidiu com a tragédia que se abateu sobre o município de Ciudad Acuña.  Quero, mais uma vez, expressar minhas sinceras condolências às famílias das vitimas e a seus amigos. Ao povo mexicano, e em especial ao senhor presidente.

Gostaria de rever, e agora o fiz, as grandes manifestações do muralismo mexicano. Acabo de olhar, contemplar e admirar mais uma vez essa excepcional obra do grande Rivera e tenho certeza que nela está plasmado, com maestria, os anseios do povo mexicano e de todos os povos do mundo, por liberdade e justiça social.

Em 2012, Senhor Presidente, quando visitou o Brasil, na condição de eleito, concordamos que nossos países deveriam prosseguir aprofundando seu relacionamento. E mais: que nós deveríamos – eu pego emprestada aqui a palavra que o senhor presidente usou, de Cecília Meireles: “nós deveríamos reinventar as nossas relações”. Reinventá-las pelas oportunidades imensas que nossos países apresentam um para o outro.

O Brasil é um grande parceiro comercial para o México. O México é um grande parceiro comercial para o Brasil.

E é esse potencial que nós temos que construir para além do que já conquistamos.

Os vários acordos que assinamos hoje lançam as nossas negociações comerciais num outro patamar. E lançam também a nossa proteção aos investimentos recíprocos num ambiente de maior segurança.

Refletem, sobretudo, a importância que nós atribuímos às nossas relações bilaterais.

Caro presidente, diferentemente do que uns poucos pensam, nossos países têm muito em comum. Somos latino-americanos, países em desenvolvimento, de grande território, de grande população.

Somos economias emergentes, que promovem a integração e o multilateralismo como meios para atingir uma ordem internacional próspera, justa e democrática. Temos expressivas manifestações em nossas culturas nacionais e o México, nós sabemos, é o berço de uma das mais importantes civilizações da história da humanidade.

Estivemos juntos em momentos-chave da política internacional na década passada, como na oposição à invasão do Iraque, em 2003. Como, naquele ano também, presidente, criamos o G-20 comercial, na Cúpula da OMC em Cancún. Essa iniciativa mudou as negociações multilaterais de comércio, tornando-as mais justas e equilibradas.

Nossa atuação no G-20 financeiro tem sido importante para mitigar os efeitos da crise iniciada em 2008.

Fomos parceiros na criação da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a CELAC, onde demonstramos que podemos encontrar, na diversidade de nossa região, pontos de convergência e de convívio benéfico.

Devemos trabalhar ao máximo para aproximar nossas posições e evitar falsos antagonismos e aproveitar a natureza e todas as possibilidades comuns que os nossos povos apresentam. É com esse espírito que fizemos dessa região um espaço de paz hoje, um modelo para o resto do mundo. Tivemos muitos anos, quase séculos, em paz.

Estimado Presidente Peña Nieto,

A visita de hoje concretiza os compromissos que assumimos, mas gostaria de declarar ao senhor que a chave para as nossas relações está sobretudo nas pessoas. Está no fato de que temos todas as condições para nos transformarmos em amigos e irmãos.

E quero dizer ao senhor que o Brasil tem hoje todas as condições para receber investimentos mexicanos, eles são muito bem-vindos para que nós desenvolvamos nosso comércio.

Mas sobretudo nós sabemos que a cultura latino-americana está incompleta, quando nós não nos reconheçamos. E aprendemos muito com o México nos últimos séculos.

Aprendemos com o México que a humanidade foi capaz de fazer uma civilização, na chamada mesoamérica pré-colombiana, de porte a estar à altura de todas as grandes civilizações, da egípcia, da babilônica, da hindu, da chinesa. Enfim, de qualquer outra.

Isso é um fator de orgulho que faz a nossa identidade de latino-americanos.

Aprendemos com o México, porque a Revolução Mexicana foi a primeira do século passado a lançar, na América Latina, os valores da liberdade e dos direitos a uma vida digna para as nossas populações, da justiça social e da democracia. Da soberania de nossos países. A primeira a lançar as bases para o que nós queremos, a criação de uma grande classe média latino-americana.

Porque para nós, senhor presidente, o fim da miséria, a superação da pobreza extrema, é sempre só um começo.

É um começo para que sejamos capazes de fornecer serviços de qualidade, sobretudo educação, de qualidade para nossas populações.

Aprendemos também, e vivenciamos aqui no México, como é bom ser recebido num país democrático, quando os seus países sofrem com as mais duras ditaduras. E o México foi acolhedor para brasileiros e latino-americanos de todas as partes do nosso continente.

Por isso, eu gostaria de citar Carlos Fuentes, ao receber o prêmio Príncipe das Astúrias, ele disse e cito: “Vivimos hoy con un pie sobre las cenizas y otro sobre las semillas. No sabemos separar el pasado del porvenir, ni debemos hacerlo: ambos nos acompañan en el presente”.

México e Brasil possuem um legado comum de realizações e um futuro repleto de oportunidades. Cabe a nós fazer com que essas circunstâncias e esse potencial se realizem plenamente.

Nós temos símbolos nas nossas culturas. Sem dúvida nenhuma, é um símbolo de alegria, de viver e de felicidade, a tequila mexicana. Sem sombra de dúvida é um símbolo de vida, de felicidade, de alegria e de música, a cachaça, a caipirinha brasileira. Por isso, senhor presidente, eu tenho imenso, orgulho, prazer e honra, de saudar ao senhor, ao povo mexicano, ao fortalecimento da amizade entre os nossos países, a aproximação entre nossos empresários, acadêmicos e artistas, com uma caipirinha e uma tequila.

Muito obrigada, senhor presidente.

 

 Ouça a íntegra(10min21s) do brinde da Presidenta Dilma

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