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Brinde da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante almoço oferecido pelo Presidente da República do Peru, Ollanta Humala - Lima/Peru

por Rose Mary Rosendo publicado 11/11/2013 19h50, última modificação 04/07/2014 20h20

 

Lima-Peru, 11 de novembro de 2013

 

Excelentíssimo senhor Ollanta Humala, presidente da República do Peru e senhora Nadine Heredia,

Excelentíssimo senhor Fredy Otárola, presidente do Congresso da República,

Excelentíssima senhora Marisol Espinoza, primeira vice-presidente da República,

Senhoras e senhores embaixadores,

Senhores ministros de Estado integrantes das delegações peruana e brasileira,

Senhoras e senhores empresários aqui presentes, brasileiros e peruanos,

Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas,

 

Para mim é uma enorme satisfação mais uma vez estar aqui no Peru, com o presidente Ollanta Humala e com a senhora Nadine Heredia.

Nós, aqui, estamos celebrando dez anos de aniversário de uma aliança estratégica. Eu tenho certeza que quando nós fizemos essa aliança nós fizemos a aposta acertada. O Brasil, durante muito tempo, viveu de costas para a América Latina e, agora, a parte dessa década, do início dessa década, em 2003, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as coisas mudaram e eu dei continuidade a essa mudança.

Qual é o sentido dessa mudança? O sentido dessa mudança é perceber que é muito importante a região na qual nós vivemos. E essa região é uma região especial, uma região onde nós não temos guerras, conflitos étnicos, conflitos religiosos, não temos disputas e, enfim, uma região em que nós sofremos de alguns problemas sérios: primeiro, da desigualdade, da exclusão; tivemos um problema sério em relação à divida, quase todos nós tivemos a situação de tragédia que foi a crise da dívida, que começa em [19]82, com o primeiro e o segundo choque do petróleo e, também, com todos os processos de endividamentos que dali advieram. A partir daí nós mudamos a nossa perspectiva e começamos a olhar de outra forma para os nossos países.

Então, nós somos fruto de um processo evolutivo. E esse processo evolutivo significou que nós passamos a dar importância à estabilidade macroeconômica, ao controle da inflação e que percebemos que isso era compatível com a inclusão social.

Um processo desses é um processo extremamente virtuoso, porque éramos uma das regiões mais desiguais do mundo e, hoje, estamos em franco processo de alteração disso. Com isso, formamos um grande mercado consumidor, um mercado consumidor que tem uma característica essencial: integram esse mercado pessoas que recém chegaram à situação de consumidores, que até então não eram consumidores; integram esse mercado pessoas que, por isso também, se transformaram em cidadãos; integra esse mercado um conjunto de homens e mulheres trabalhadores e empreendedores.

Por isso, estar aqui no Peru, num quadro em que esse processo constitui também uma valorização da integração entre os países é muito importante. E essa valorização está expressa nessa aliança que hoje comemora 10 anos, aliança entre o Brasil e o Peru. Aliança que não significa uma aliança só de governos, mas tem de significar também uma aliança de empresários, uma aliança de trabalhadores, uma aliança da sociedade de intelectuais, de estudantes.

Eu estou muito contente. Eu estive aqui, hoje, com o presidente Humala, ao longo desta manhã que, para nós, no Brasil, já é tarde, mas que isso não nos separa, pelo contrário, nos integra. E o presidente Humala disse uma coisa, hoje, para mim, muito rica, me disse o seguinte: nós estamos voltados para o Pacífico, vocês estão voltados para o Atlântico. Tradicionalmente, isso significava que nós estivéssemos de costas uns para os outros. A mudança de perspectiva estratégica é ser capaz de olhar para o Pacífico e olhar para o Atlântico e perceber que a nossa integração nos dá um outro potencial, porque nos dá um novo horizonte, um horizonte em que brasileiros olhem para o Pacífico, peruanos olhem para o Atlântico e, sobretudo, para que nós, em conjunto, olhemos para esse grande continente, que tem imenso potencial na infraestrutura, na agroindústria, na indústria, na produção de serviços, na sua integração através de banda larga, de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

Então, eu queria fazer um brinde especial para esse presidente excepcional também, que é o presidente Ollanta Humala, dizendo a ele que eu conto, com certeza, que os nossos países, o Brasil e o Peru, serão países que, a partir desse processo de integração que está em desenvolvimento, das empresas brasileiras que aqui estão, das empresas peruanas que estão lá no Brasil, das nossas relações comerciais, e cada vez relações comerciais mais livres, nós conseguiremos o desenvolvimento para os nossos povos.

E que através das nossas políticas sociais nós tenhamos certeza que no nosso novo momento, que é esse momento que nós inauguramos neste século, as nossas populações não ficarão à parte, não ficarão fora do processo de criação de riqueza do nosso país e que isso se dará através da educação, da ciência e tecnologia e, também, da ida e vinda de brasileiros e peruanos por essa fronteira afora.

Um brinde a todos vocês.

 

Ouça a íntegra (06min53s) do brinde da Presidenta Dilma