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Brinde da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante almoço oferecido pelo presidente da Colômbia e senhora Maria Clemência Rodriguez de Santos em homenagem à presidenta da República - Bogotá/Colômbia

por Portal Planalto publicado 09/10/2015 20h50, última modificação 09/10/2015 21h50

Bogotá-Colômbia, 09 de outubro de 2015

 

 

Excelentíssimo senhor Juan Manuel Santos, presidente da República da Colômbia e senhora Maria Clemencia Rodríguez de Santos,

Doutor Jose Leonidas Russos Martines, presidente da Corte Suprema de Justiça,

Senhoras e senhores ministros de Estado e integrantes das delegações da Colômbia e do Brasil,

Senhoras e senhores empresários e representantes dos meios acadêmicos e cultural,

Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Senhoras e senhores,

 

Eu queria iniciar agradecendo a honra que me foi dada com a deposição deste colar. O colar que leva o nome de “Boyaca” e que eu tenho orgulho de estar recebendo e vestindo nesse momento. Queria esclarecer que o presidente Santos não está com um outro colar porque ele já recebeu o grande colar da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.

Grata, amigo presidente, pela calorosa acolhida que seu governo e o povo colombiano dispensaram à mim e o povo colombiano dispensou também  minha delegação, à minha comitiva, na visita que nós estamos hoje realizando.

A Colômbia e o Brasil vivem um importante momento de aproximação. Aproximação cultural, o nosso querido Wagner [Moura], ele hoje representa para o Brasil uma série que todos nós assistimos no Netflix e que é um pouco, representa a história da Colômbia, mas também é uma forma de manifestação e de proximidade entre nós.

Além disso, a nossa aproximação ela é também pessoal. Eu acredito que eu e o presidente Juan Manuel Santos tivemos, desde logo, desde nosso primeiro encontro uma imensa proximidade no que se refere às nossas convicções democráticas e nosso compromisso com a prosperidade dos nossos países da região.

É uma aproximação também econômica porque nós sabemos que tanto do ponto de vista comercial, quanto do ponto de vista de investimento as nossas relações, hoje, estão aquém do nosso potencial. Por isso, queremos aprofundar as nossas relações bilaterais.

Nós possuímos convergências, potencialidades comuns; compartilhamos uma fronteira especial, uma fronteira que corta a mais importante reserva florestal do mundo: a Floresta Amazônica; compartilhamos o fato de sermos dois países megadiversos; compartilhamos o fato de oferecermos uma base e uma complementariedade para que trabalhemos juntos em prol do bem estar dos nossos povos; somos duas grandes democracias, com economias de expressivo  peso na América Latina e no hemisfério. Nossas sociedades são dotadas de riqueza cultural e de diversidade étnica e temos raízes ibéricas, africanas, nos povos originários e nos demais povos que todos acolhemos com os braços abertos. Dividimos ainda o inigualável patrimônio de podermos ser responsáveis pelo bioma amazônico. Nossos dois países compartilham como valores principais a democracia e a promoção da justiça social. Povos dividem, sobretudo, princípios, valores. Por isso, nós temos esta grande aproximação. Estamos comprometidos também com o valor de oferecer melhor qualidade de vida para as nossas sociedades num quadro de respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais.

Quero aqui reiterar minhas congratulações, presidente Santos, pelo empenho do seu governo e do seu povo em pôr fim ao conflito armado que, por décadas, trouxe dor e sofrimento à Colômbia. Saúdo em especial o recente anúncio do acordo sobre reparação às vítimas e à justiça transicional.

Sua determinação, presidente Santos, mostra que a vontade política, a persistência e  a coragem são indispensáveis para a busca de uma paz duradoura. Requisito fundamental para o desenvolvimento social. No mundo cheio de conflitos armados, num mundo carregado de fatos lamentáveis, como é o fato das populações do Oriente Médio, no Norte da África, buscarem refúgio, é algo absolutamente otimista, esperançoso ver essa construção da paz na nossa região.

    A Colômbia terá no Brasil sempre um país amigo, disposto a prestar apoio ao processo de consolidação da paz. Nossa contribuição será no esforço de remoção de minas, nas políticas relacionadas com retorno ao campo de populações desalojadas durante o conflito. Queremos colaborar revitalizando as áreas rurais colombianas durante a fase de pós-conflito. A nossa agricultura familiar, nosso agronegócio, nossa capacidade de investimento em infraestrutura que tem foco na inclusão social, amigo presidente, sem sombra de dúvida, será a nossa contribuição ativa, não contribuição no papel, mas contribuição nas ações que temos interesse imenso de desenvolver com o seu governo.

 

    Querido presidente e senhoras e senhores,

 

    Minha visita sinaliza a nossa mútua disposição de buscar ampliar os fluxos de comércio e investimento. A integração das economias da Colômbia e do Brasil, nos ajudará também a enfrentar essa circunstância internacional adversa que afeta nossas economias.

    Nós sabemos que o nível do comércio bilateral ganhou dinamismo na última década, mas encontra-se, repito, muito aquém de seu potencial, dado os tamanhos de nossos mercados, dado o tamanho de nossas duas economias, dado ao seu grau de complementariedade recíproca. Nós temos investimentos, um estoque de investimentos realizados em nossos países, mas as oportunidades que se apresentam à nossa frente são muito maiores do que esse estoque. Os acordos e os entendimentos que hoje nós alcançamos darão mostra ao setor privado de nossos países do nosso comprometimento em alçar as relações econômicas a novos patamares. O acordo de cooperação e facilitação do comércio, o próprio acordo automotivo, o memorando de entendimento sobre todos os nossos procedimentos no que se refere a compras públicas, às questões relativas a serviços, e também, eu quero aqui sinalizar, na área de cultura, na área de educação, na área de ciência e tecnologia. Todos eles apontam numa só direção: nós vamos avançar ainda muito mais nas nossas recíprocas e absolutamente fraternas relações.

Senhor Presidente, Gabriel Garcia Marquez ao conhecer a Bahia acompanhado do amigo Jorge Amado, constatou que Salvador era igualita a Cartagena. Atribuía essa  coincidência à uma realidade latino-americana, compartilhada pelo Brasil e pela Colômbia , que sempre alimentou sua obra inspirou a arte, a literatura, a cultura do continente. A literatura, senhor presidente, desconhece fronteiras. Ela por vezes é nossa pátria, a América do Sul que queremos construir juntos tem de abrir suas fronteiras físicas para que nossos sentimentos comuns possam ser vivenciados juntos. Para isso, Colômbia e Brasil podem fazer muito. Nós, que vivemos em paz nas nossas fronteiras durante tantos séculos, seremos capazes de construir uma sociedade fronteiriça também que se tornará igualita à Cartagena.

Convido a todos a erguer um brinde ao fortalecimento da amizade e da cooperação entre Colômbia e Brasil. Que sempre possamos identificar em todo e em cada país da região as marcar de nossas profundas afinidades.