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Brinde da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante almoço oferecido pela Presidenta do Chile, Michelle Bachelet, em homenagem à Presidenta da República - Santiago/Chile

por Portal Planalto publicado 26/02/2016 17h40, última modificação 26/02/2016 18h59

Santiago-Chile, 26 de fevereiro de 2016

 

Boa tarde a todos,

Eu queria dirigir um cumprimento todo especial à nossa querida Michelle Bachelet, presidente do Chile,

Queria cumprimentar o ministro Hugo Dolmestch, presidente da Corte Suprema,

Dirigir um cumprimento especial ao ex-presidente Sebastián Piñera, com quem eu tive oportunidade de conviver no início do meu mandato,

Cumprimentar as senhoras e os senhores ministros de estado, integrantes das delegações do Chile e do Brasil,

Cumprimentar as senhoras e os senhores embaixadores, parlamentares, empresários e acadêmicos,

 

Senhoras e senhores,

 

Eu gostaria de começar novamente a minha fala depois das saudações, chamando a minha querida amiga companheira presidenta, e permita-me chamá-la assim, porque o povo chileno chamou a outro grande presidente, um grande presidente sem dúvida, cuja a morte e a vida, sobretudo, iluminaram seu país e a nossa região. Para mim é sempre uma alegria voltar aqui a Santiago e encontrá-la.

Nós hoje reafirmamos, nós chilenos e brasileiros, reafirmamos que a amizade e as nossas relações, elas têm de ser bastante fortes para superar a geografia que nos fez distantes e anulá-la. Acredito que uma amizade sem limites para retomar um lugar comum usado pelo fundador da diplomacia brasileira, o Barão do Rio Branco, esta amizade sem limites é o caracteriza a relação entre o Brasil e o Chile. Eu tenho orgulho de dizer que foi, que coube a nós, duas mulheres, dar uma dimensão renovada ao relacionamento de nossos países a partir do fortalecimento das nossas relações em uma conjuntura bastante difícil que é a que nós vivemos. Sem sombra de dúvida todos aqui sabem das dificuldades que os países do mundo enfrentam. Os países em desenvolvimento, chamados emergentes, têm de enfrentar a queda dos preços das commodities, a desaceleração da China e também o fato que as economias dos países desenvolvidos têm demonstrado uma imensa fragilidade com idas e vindas na sua recuperação. Diante disso, os nossos caminhos passam necessariamente pelo aumento da nossa cooperação.

Nós temos clareza que o Brasil e o Chile são economias que demonstram uma grande capacidade de ampliar as suas relações comerciais e de investimentos. Primeiro porque o nosso comércio e os investimentos têm sido muito bem sucedidos na fase em que nós não estávamos ainda sofrendo as dificuldades dessa última conjuntura, principalmente considerando o estoque de investimentos chilenos que o Brasil tem recebido, oito bilhões de dólares. Eu acredito, viu, presidente, que esse número é um pouco subestimado, oito bilhões de dólares de investimentos [chilenos] no Brasil, que são muito bem-vindos. Tem uma grande representatividade do nosso potencial em todas as áreas, da mesma forma, investimentos brasileiros aqui no Chile. E também  a nossa cadeia comercial, daí porque é importante a assinatura do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimento que nós estamos enviando, assinada em novembro, e que nós estamos enviando agora com a abertura do Congresso no Brasil para a sua internalização.

Acordo sobre compras governamentais, acordo sobre serviços, enfim, todos os acordos possíveis para facilitar as nossas relações e garantir que os nossos empresários tenham um ambiente de oportunidades em nossos países. Daí também a importância da aproximação.

E eu queria agradecer a presidenta Michelle Bachelet  a aproximação entre o Mercosul e a Aliança para o Pacífico. Nós somos uma grande região. Unidos, nós temos mais de 600 milhões de consumidores. Isso é que fará e que dará a sustentação para que essas relações entre esses dois acordos de cooperação possam se expandir e se desenvolver.

De outro lado nós sabemos a importância da integração inter-regional. Os chamados corredores bioceânicos, nós gostaríamos de destacar justamente Porto Murtinho e (incompreensível), porque ele tem o condão de ser um corredor e uma alternativa logística de curta distância em relação aos demais e, ao mesmo tempo, ele interliga o Brasil, o Paraguai, a Argentina e o Chile, formando um grande percurso para as nossas exportações, para os mercados asiáticos e também intra-regionais.

Gostaria também de dizer da importância da nossa cooperação de saúde, ciência e tecnologia. E dizer também que as nossas relações, elas têm se pautar por um respeito imenso à democracia e aos direitos humanos. Nós somos países que experimentamos essas dificuldades, por isso cooperamos com os demais países da Unasul e da Celac, dentro desse espírito de reafirmar a democracia e os direitos humanos no nosso continente.

Quero também, finalizando, dizer que essas grandes alamedas por onde passará o homem livre para construir uma sociedade melhor, anunciada por Salvador Allende em sua derradeira mensagem, essas grandes alamedas foram pavimentadas pelo sacrifício e sonhos de muitas gerações, no meu País e no Chile, e por que não dizer em toda a América Latina. Mas nossos povos, eles compreenderam essa mensagem e nós podemos nos orgulhar de ter ultrapassado todas as barreiras para a construção da nossa modernidade em cima de uma democracia política que nós sabemos que isso só será extremamente sólida se for sólida também do ponto de vista econômico e social. Dai a importância do crescimento econômico, porque só assim teremos uma forte democracia social e econômica e daí, também, a importância da inclusão de milhões e milhões de chilenos e brasileiros. Nós sabemos que a inclusão social cria a necessidade de mais inclusão social, e que cada vez que nós superamos uma etapa, é só o começo de outra.

Hoje, aqui em Santiago, nós vamos falar de economia, de comércio, de infraestrutura, de ciência e tecnologia, de energia e de defesa. Nós vamos analisar o inquietante quadro internacional. Nós vamos analisar a forma como lidar com isso. Mas, sobretudo, nós vamos construir os caminhos, os caminhos para que nós possamos utilizar a nossa cooperação como uma forma de aproveitar a crise.

Já disse um integrante desse hemisfério que uma crise é muito dolorosa para ser desperdiçada. Tenho certeza que nós não desperdiçaremos a crise que enfrentamos. E eu estou certa que a geografia não mais nos separa, assim como a língua não nos separou, como bem observou a presidenta Michelle Bachelet quando homenageou o poeta brasileiro Augusto de Campos no prêmio Pablo Neruda.

E quero dizer em nome de tudo isso, que eu ergo um brinde ao povo chileno e, sobretudo, a amizade dos nossos povos, e a felicidade pessoal e as realizações políticas, econômicas e sociais do governo da minha amiga Michelle Bachelet.

 

Ouça a íntegra do discurso (10min17s) da Presidenta Dilma