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Brinde da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante almoço oferecido pela presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, no Palácio San Martin

por Portal do Planalto publicado 31/01/2011 18h42, última modificação 04/07/2014 20h05
Presidenta Dilma falou sobre a parceria Brasil-Argentina

 

Buenos Aires-Argentina, 31 de janeiro de 2011

 

Excelentíssima senhora Cristina Fernández de Kirchner, Presidenta da Nação Argentina,

Excelentíssimo senador José Pampuro, presidente provisório do Senado da Nação,

Excelentíssimo senhor Ricardo Lorenzetti, presidente da Corte Suprema de Justiça da Argentina,

Senhor Aníbal Fernández, chefe de Gabinete de Ministros da República Argentina,

Embaixador Héctor Timerman, ministro das Relações Exteriores,

Senhoras e senhores ministros de Estado da República Argentina,

Ministros que me acompanham nesta visita – Antonio Patriota, das Relações Exteriores; Nelson Jobim, da Defesa; Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços [Exterior]; Márcio Zimmermann, interino de Minas e Energia; Paulo Bernardo, das Comunicações; Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia; Mario Negromonte, das Cidades; Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres,

Embaixador Juan Pablo Lohlé, embaixador da Argentina em Brasília,

Embaixador Enio Cordeiro, embaixador do Brasil em Buenos Aires,

Senhores governadores provinciais,

Senhores e senhoras integrantes do corpo diplomático,

Senhoras e senhores parlamentares,

Senhoras e senhores empresários,

Senhoras e senhores jornalistas aqui presentes,

Cinegrafistas,

Senhoras e senhores,

Ao fazer desta vinda à Argentina minha primeira viagem ao exterior como presidenta do Brasil, eu quero reafirmar uma amizade histórica que une os povos dos nossos países.

Eu agradeço à presidenta Cristina Kirchner e ao povo argentino a acolhida generosa dispensada a mim e à minha comitiva. Também agradeço, em meu nome e no nome do povo brasileiro, a solidariedade recebida dos amigos argentinos na tragédia causada pelas fortes chuvas que golpearam meu país.

Quero também reiterar mais uma vez minha homenagem à memória do presidente Néstor Kirchner, companheiro e amigo, corajoso líder político e homem de ação. Néstor deixou extraordinário legado não só para Argentina, mas também para todo o continente americano. Ele continuará sendo fonte de inspiração para todos nós que almejamos uma América do Sul próspera e democrática.

Amiga Cristina,

Esta é uma grata oportunidade para reafirmarmos o compromisso histórico que une nossas duas nações.

A força da nossa relação se apóia não só numa sólida parceria estratégica, mas também no incontornável destino comum compartilhado pelos nossos povos.

Ao longo das últimas décadas, as relações entre nossos países se consolidaram no plano político, com a instalação definitiva de uma cultura de cooperação, de paz e de amizade. Na esfera da integração econômica, graças ao Mercosul, nosso comércio bilateral teve um grande crescimento. Nossos investimentos recíprocos tiveram também crescimento expressivo.

Acredito que é chegada a hora de explorarmos novos horizontes, com o fortalecimento de nossa agenda econômica, social e cidadã. Nossa união, para ser duradoura, tem de refletir-se no bem-estar de nossos povos, em particular para os segmentos mais vulneráveis das nossas populações.

É por isso que vamos unir esforços em áreas como integração fronteiriça, saneamento, habitação, desenvolvimento urbano, educação, cultura e promoção de igualdade de oportunidades.

Mas, sobretudo, somos países especiais. Hoje, somos países com uma agricultura profissional produtiva e de alta tecnologia. Somos países com recursos energéticos e minerais significativos. Somos países que têm, nas fronteiras da energia, a capacidade de avançar onde muitos outros não conseguem: nos biocombustíveis, nos combustíveis fósseis e na hidroeletricidade.

Avançamos já em alguns projetos. Podemos e vamos, certamente, avançar ainda mais. Somos países que têm a capacidade, pela criatividade da sua população, de estabelecer uma política de inovação e, ao mesmo tempo, países que têm um setor cultural, científico, capacitado para inovar, criar e  produzir fronteiras de avanço tecnológico.

Avançaremos, portanto, em grandes projetos. Hoje, mais uma vez, nós demos um passo em direção à integração energética, com a construção da hidrelétrica de Garabi. Agora, nós temos esse compromisso de construção da primeira grande hidrelétrica binacional. Consolidaremos ainda mais nossa posição de detentores de tecnologia nuclear para fins pacíficos, fortalecendo a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares, que completará em breve seus 20 anos, e colocando em marcha projetos ambiciosos como o do reator multipropósito.

Com o fórum de empresários Argentina-Brasil, queremos fortalecer a promoção comercial conjunta em terceiros países e a associação entre nossos setores produtivos e a construção de uma plataforma de integração produtiva comum.

A aliança estratégica entre a Argentina e o Brasil é também fundamental para a projeção de interesses e valores comuns, cada vez mais definidos de forma coletiva em nosso entorno sul-americano. Podemos dizer, mais uma vez, que aprendemos com Kirchner, na sua participação na Unasul.

Seguiremos necessariamente conjugando esforços para fortalecer e aprofundar o Mercosul, tanto na consolidação da união aduaneira, quanto em suas agendas produtiva, social e cidadã. Continuaremos trabalhando em estreita coordenação para o fortalecimento da Unasul, instrumento que deve tornar-se cada vez mais relevante para a integração do continente.

Temos ampla convergência de visões sobre as grandes questões multilaterais. A colaboração argentino-brasileira no Haiti mostra nosso compromisso com a causa da paz.

No G-20 Financeiro, temos especial acordo para assegurar que as decisões relativas à reforma das instituições multilaterais de crédito reflitam os interesses dos países em desenvolvimento. Estou certa de que a presidência argentina do G-77 contribuirá para esse esforço, fazendo com que nós tenhamos, com os países em desenvolvimento, uma ponte de caráter inequívoco. Também continuaremos a combater o protecionismo dos países mais ricos e as políticas que distorcem o comércio exterior, inclusive em matéria de câmbio.

Amiga e companheira Cristina,

Quando fui eleita, você declarou que me aguardava com muito carinho. Desejo aqui lhe retribuir essa expressão de amizade que eu não esqueci, símbolo do afeto entre nossos povos.

De forma inédita, nos tornamos as duas primeiras “presidentas” de nossos países, eleitas para ser presidentas. Eleitas diretamente pelo voto popular, o que deve ser motivo de orgulho, não só para nossas compatriotas, mas também, para as mulheres de toda a América Latina dedicadas diariamente à construção de sociedades mais justas. Afinal, já foi dito que o nível de avanço de uma sociedade pode ser medido pelo grau de participação que as mulheres nela têm.

Mas, se essa circunstância expressa a maturidade democrática de nossos países, ela nos impõe a responsabilidade de traduzir em ações concretas nosso compromisso com o desenvolvimento econômico e social, a proteção dos mais frágeis e a promoção de todos os direitos humanos.

Imbuída desse espírito, convido todos os presentes a erguer um brinde à saúde da presidenta Cristina e pela construção de um futuro comum entre brasileiros e argentinos, um futuro de desenvolvimento econômico, inclusão social, de prosperidade, de autoestima e de paz.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra do discurso (11min28s) da Presidenta Dilma.