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Programa de rádio “Café com a Presidenta”, com a Presidenta da República, Dilma Rousseff

por Portal do Planalto publicado 28/06/2011 17h28, última modificação 03/11/2014 17h25
No programa, a Presidenta fala sobre a criação de 49 Centros Regionais nas universidades brasileiras para formar profissionais capazes de atender e acompanhar dependentes de drogas

 

Rádio Nacional, 21 de fevereiro de 2011

Luciano Seixas: Oi, gente, eu sou Luciano Seixas e estamos começando mais um encontro semanal com a presidenta Dilma Rousseff. Bom dia, Presidenta. Tudo bem com a senhora?

Presidenta: Tudo bem, Luciano. Um bom dia para você também, e um bom dia para os nossos ouvintes.

Luciano Seixas: Hoje queremos conversar sobre um assunto que preocupa pais e mães de família por todo o Brasil: as drogas, especialmente o crack.

Presidenta: E preocupa a mim também, Luciano, porque como presidenta me sinto responsável, junto com pais, mães e com toda a sociedade brasileira, pelo futuro da nossa juventude, que é a maior vítima das drogas.

Luciano Seixas: Pois é, nessa semana o governo anunciou a implantação de 49 Centros Regionais de Referência em Crack e Outras Drogas. Como é que isso vai ajudar a reduzir o consumo de drogas, Presidenta?

Presidenta: É o seguinte, Luciano: quem já conviveu com dependente de drogas sabe bem que esse é um problema difícil de ser tratado. Estamos criando, por isso, Luciano, esses 49 Centros Regionais nas universidades, justamente para formar profissionais capazes de oferecer o atendimento e o acompanhamento que os dependentes precisam. Em faculdades espalhadas por todo o Brasil, a partir de agora, médicos, enfermeiros, assistentes sociais e outros profissionais vão receber capacitação para atender, de forma eficaz, os dependentes de crack e seus familiares. Eles vão conhecer as técnicas de tratamento e, também, as possibilidades de trazer essas pessoas de volta ao convívio social, Luciano, ao trabalho e aos estudos. Vão também pesquisar sobre a doença, entendê-la melhor para combatê-la melhor. Já estamos fazendo 13 estudos clínicos sobre o crack em seis universidades federais. No meu governo, Luciano, nós vamos fazer com que as universidades públicas, além de educar brasileiros e brasileiras, respondam às necessidades dos que mais precisam. E aí, combater o crack está entre as nossas prioridades. Esse, Luciano, é o melhor jeito de devolver aos brasileiros um investimento que eles fizeram ao pagar, com seus impostos, a criação das universidades públicas federais, estaduais e municipais.

Luciano Seixas: Que profissionais vão poder fazer os cursos?

Presidenta: Todos os profissionais, Luciano, que já trabalham diretamente com a comunidade. Sabe, Luciano, ao todo, os Centros vão capacitar perto de 15 mil profissionais nos próximos 12 meses.

Luciano Seixas: E que tipo de cursos eles vão fazer?

Presidenta: Olha, Luciano, vão ser oferecidos quatro cursos: um curso para médicos que atendem nas unidades básicas de saúde; outro para profissionais que vão receber pacientes para desintoxicação nos hospitais ou clínicas; um terceiro para agentes comunitários de saúde e profissionais que atendem as pessoas nas ruas; e o último para os profissionais de assistência social.

Luciano Seixas: É preciso cercar as drogas por todos os lados, não é, Presidenta?

Presidenta: É, Luciano. E usando, ainda, todos os recursos disponíveis. Eu quero dizer a você que o nosso Plano de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, lançado no ano passado pelo presidente Lula, e que eu estou aprofundando, cerca o problema por todos os lados. São três pontas interligadas, Luciano: a primeira é a prevenção, feita na escola e nas famílias; a outra é o tratamento, que estende as mãos às vítimas do crack.

Luciano Seixas: Presidenta, quando a senhora diz “vítimas”, a gente lembra que o crack destrói o dependente e toda a família dele, não é?

Presidenta: É verdade. Estamos enfrentando uma droga capaz de destruir completamente uma família. Começa destruindo a vida do próprio usuário, ele se isola, não quer fazer mais nada. Não estuda, não trabalha, não come, muitas vezes fica violento e, lógico, isso atinge toda a família.

Luciano Seixas: Presidenta, a senhora disse que o enfrentamento ao crack e outras drogas tinha três pontas. Qual é a terceira?

Presidenta: Olha, Luciano, é o combate ao tráfico. Nosso Plano prevê a ampliação do combate ao tráfico, especialmente nas fronteiras. Veja, vamos atrás do traficante internacional e, ao mesmo tempo, vamos agir para acabar com o pequeno tráfico, aquele que muitas vezes rouba a infância, usando nossas crianças e adolescentes como chamados “aviões”. Essa, meu amigo, é uma das faces mais cruéis do tráfico de drogas, pois meninas e meninos pobres são atraídos pelo dinheiro fácil e promessas falsas, sem saber dos riscos que estão correndo.

Luciano Seixas: E o mais triste dessa história, Presidenta, é que muitos desses jovens nem chegam a virar adultos.

Presidenta: Por isso, Luciano, é que não podemos ser tolerantes com o tráfico. O nosso jovem tem um mundo de possibilidades, que vão além das promessas falsas de dinheiro fácil e do prazer imediato que as drogas podem dar. Com a sua inteligência e sua criatividade, o jovem encontra muitas maneiras de se realizar: pode praticar esporte, pode ter um bom emprego, pode conviver com sua família, ir a festas, namorar. E o crack tira tudo isso dele. É justamente isso que não podemos, nem iremos deixar acontecer.

Luciano Seixas: Opa! É com esse incentivo da nossa Presidenta que terminamos o nosso programa de hoje. Obrigado, presidenta Dilma Rousseff.

Presidenta: Eu é que agradeço, Luciano. Até a semana que vem.

Luciano Seixas: E lembre-se: você pode ouvir esse programa na internet. O endereço é www.cafe.ebc.com.br. O “Café com a Presidenta” volta na próxima segunda-feira. Até lá.

Ouça a íntegra da  entrevista (06min03s) da Presidenta Dilma no programa Café com a Presidenta