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Programa de rádio “Café com a Presidenta”, com a Presidenta da República, Dilma Rousseff

por Portal do Planalto publicado 08/07/2013 09h00, última modificação 03/11/2014 17h27
Presidenta Dilma fala sobre o pacto pela saúde

 

Rádio Nacional, 08 de julho de 2013

 

Luciano Seixas: Olá, bom dia! Eu sou o Luciano Seixas e começa agora mais um Café com a Presidenta Dilma. Bom dia, presidenta!

 

Presidenta: Bom dia, Luciano! E bom dia para você que nos acompanha aqui no Café hoje!

 

Luciano Seixas: Presidenta, hoje, eu queria falar aqui no Café sobre saúde, que foi um dos cinco pactos que a senhora propôs ao Brasil, e hoje a senhora lança um programa importante para levar à frente esse pacto, não é mesmo?

 

Presidenta: Olha, Luciano, o pacto pela saúde contempla a aceleração dos investimentos já contratados para melhorar a estrutura da rede pública do Brasil. Estamos investindo R$ 7,4 bilhões na construção, reforma e compra de equipamentos para postos de saúde, Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs, e os hospitais. E, no ano que vem, nós vamos investir mais R$ 5,5 bilhões em novas unidades. Para que tudo isso funcione bem, Luciano, e para que possamos dar um tratamento digno e eficiente à população, vamos precisar de mais médicos para trabalhar, principalmente nas periferias das grandes cidades, no interior do país e nas regiões Norte e Nordeste, onde mais faltam médicos. Por isso, nós estamos lançando hoje o programa Mais Médicos.

 

Luciano Seixas: Como é que esse programa vai aumentar o número de médicos atendendo à população, presidenta?

 

Presidenta: Olha, Luciano, nós já temos hoje um grande número de médicos fazendo atendimento da população na rede pública de saúde, o nosso SUS. Nós sabemos que os nossos médicos estão comprometidos com a qualidade do serviço público, mas, infelizmente, eles ainda são em número insuficiente para garantir atendimento em toda a rede pública de saúde. Essa falta de médicos é um problema muito sério, que irá ficar mais grave na medida em que aumentamos os investimentos na construção de novas unidades de saúde. Nós já falamos aqui no Café que o Brasil tem menos médico por habitante, por exemplo, do que a Argentina, o Uruguai, Portugal e Espanha. E esse problema se torna ainda mais grave nas regiões mais pobres e mais distantes do país. Por isso, Luciano, tomamos uma série de providencias. Uma delas é aumentar as oportunidades para os jovens que querem estudar Medicina ou fazer uma especialização na área.

 

Luciano Seixas: E quantas vagas já foram abertas a mais nos cursos de Medicina, presidenta?

 

Presidenta: Olha, Luciano, nesses dois anos e meio do meu governo, nós já criamos 2.400 novas vagas nos cursos de Medicina, e isso é só o começo, porque nós vamos continuar aumentando as oportunidades para os nossos jovens brasileiros. Estamos abrindo mais 11 mil vagas nos cursos de graduação e 12 mil vagas na residência médica para formar especialistas que estão em falta no Brasil, como pediatras, neurologistas, ortopedistas, anestesistas, cirurgiões e cardiologistas. Até o final de 2014, serão mais 6 mil na graduação e mais 4 mil na residência médica. A residência, é bom lembrar, Luciano, ela estimula a permanência do médico recém-formado na região onde faz a sua especialização e começa a sua vida profissional. E, para contribuir com a formação de novos médicos, serão construídos 14 novos hospitais, com um investimento de R$ 2 bilhões até 2017, fora todos os hospitais privados que, porventura, também sejam construídos.

 

Luciano Seixas: Mas formar um médico leva tempo, não é, presidenta? E quem precisa de atendimento de saúde não pode esperar.

 

Presidenta: Ah, você tem toda a razão, Luciano. A verdade é que são necessários seis anos para se formar um médico na faculdade, e mais outros dois ou três anos, às vezes até cinco anos, de residência médica para ele se tornar um especialista. Só aí, Luciano, são mais de dez anos para formar um médico especialista. É exatamente por isso que estamos tomando algumas medidas emergenciais para resolver o problema de quem não tem atendimento médico hoje. Uma grande mobilização de médicos, Luciano, começa hoje com o lançamento do programa Mais Médicos.

 

Luciano Seixas: Como o programa Mais Médicos vai funcionar, presidenta?

 

Presidenta: Olha, Luciano, o programa Mais Médicos tem duas iniciativas importantíssimas: primeira, vamos lançar um edital nacional para selecionar os municípios que querem receber novos médicos. A prioridade, como eu já disse, são as periferias das grandes cidades e aqueles municípios do interior e, também, os municípios mais distantes, principalmente os municípios localizados no Norte e no Nordeste do país, onde há mais falta de médicos. Agora, para a prefeitura participar do programa, ela precisa ter postos de saúde com bons equipamentos e equipes de saúde para trabalhar junto com os médicos. Por isso, o município que participar do Mais Médicos vai ter que assumir o compromisso de acelerar os investimentos na construção, na reforma, na ampliação das suas Unidades Básicas de Saúde, porque são nas UBS, enfim, nos postos de saúde que os médicos vão trabalhar Um posto bem equipado é fundamental para que o médico tenha condições de fazer um bom atendimento a quem precisa. Nós temos, em nosso país, postos de saúde em perfeitas condições de receber, hoje, mais médicos. Por isso, a segunda iniciativa é que hoje nós vamos lançar um outro edital, para que os médicos brasileiros interessados em trabalhar nesses lugares mais distantes possam se inscrever e escolher o município para onde querem ir.

 

Luciano Seixas: E quais são os incentivos para o médico que quiser participar do programa, presidenta?

 

Presidenta: Olha, Luciano, o governo federal vai pagar R$ 10 mil por mês para o médico que participar do programa Mais Médico, e esse pagamento será feito pelo próprio Ministério da Saúde. Além disso, pagaremos uma ajuda de custo conforme a região na qual o médico estiver estabelecido. Também o governo federal pagará R$ 4 mil para reforçar equipes de saúde integradas por enfermeiros e técnicos de enfermagem. O médico, Luciano, vai trabalhar 40 horas por semana no posto de saúde, e ainda poderá fazer uma especialização em Atenção Básica. Agora, o nosso objetivo é essas vagas para médicos sejam preenchidas e a população possa ter atendimento garantido o mais rápido possível. Por isso, se as vagas disponíveis não forem todas preenchidas por médicos brasileiros, nós vamos autorizar a vinda de médicos estrangeiros.

 

Luciano Seixas: Explica para a gente como vai ser isso, presidenta.

 

Presidenta: Olha, Luciano, nós vamos contratar médicos estrangeiros, bem formados, experientes, que falem e entendam a nossa língua. Aí também estão incluídos médicos brasileiros que se formaram no exterior. Esses médicos vão assinar um contrato com o governo federal para trabalhar por, pelo menos, três anos nos lugares onde mais faltam médicos. Antes de começar a trabalhar, esses médicos estrangeiros serão avaliados por três semanas em nossas universidades públicas. E, durante os três anos, eles serão supervisionados pelas universidades públicas que acompanharão o programa. Nesse período, Luciano, eles vão trabalhar exclusivamente nos postos de saúde, fazendo o atendimento básico da população. Quero repetir que os médicos estrangeiros só vão ocupar as vagas que não forem preenchidas por médicos brasileiros. Daremos prioridade aos nossos médicos, aos médicos formados aqui no Brasil, que são altamente qualificados. Mas, infelizmente, não existem em número suficiente para atender toda a nossa população. Isso significa, Luciano, que ninguém vai tirar o emprego de ninguém. Aliás, a contratação de médicos estrangeiros é muito comum em vários países que têm excelentes sistemas de saúde, como é o caso da Inglaterra, onde 37% dos médicos que trabalham lá se formaram no exterior. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde 25% dos médicos que trabalham lá também fizeram os seus cursos fora daquele país. Veja o contraste, Luciano, nós, aqui no Brasil, temos apenas 1,79% de médicos estrangeiros.

 

Luciano Seixas: E pode vir médico de qualquer país, presidenta?

 

Presidenta: Olha, Luciano, nós não vamos aceitar profissionais de países onde também haja falta de médicos ou onde a proporção de médicos por habitante seja ainda menor do que nos Brasil. Fora isso, estamos abertos a receber médicos de qualquer país, desde que o profissional seja capacitado, com registro para atuar nos países onde se formaram, com experiência em atenção básica e com conhecimento do português. Mais médicos em nosso país, Luciano, significa mais saúde para a população Esse é o nosso grande objetivo, e é para isso que estamos trabalhando com muita determinação.

 

Luciano Seixas: Maravilha, presidenta! Agora, infelizmente, o nosso tempo chegou ao fim. Obrigado por mais esse Café.

 

Presidenta: Antes de terminar, Luciano, eu quero dizer que essa convocação de médicos para trabalhar nas regiões mais pobres de nosso país é a resposta que estamos dando para o problema da falta desses profissionais nas nossas unidades de saúde. Quem precisa de atendimento médico não pode esperar e é por isso que estamos autorizando a vinda de médicos estrangeiros. Trata-se de uma medida emergencial para resolver um problema sério e urgente. Ninguém precisa temer, eu jamais tiraria emprego de nossos profissionais ou arriscaria a saúde da população. O que nós queremos, Luciano, é melhorar os serviços públicos que oferecemos à população brasileira. Para isso, nosso governo não vai medir esforços. Obrigada, Luciano. Uma boa semana para você, uma boa semana para os nossos ouvintes. E até a semana que vem!

 

Luciano Seixas: Obrigado, presidenta. E você encontra o Café com a Presidenta lá na internet, no site www.cafe.ebc.com.br. Nós voltamos na próxima segunda-feira. Até lá!

 

Ouça a íntegra da entrevista (10min47s) da Presidenta Dilma