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Programa de rádio “Café com a Presidenta”, com a Presidenta da República, Dilma Rousseff

por Portal do Planalto publicado 07/11/2011 08h59, última modificação 03/11/2014 17h26
A presidenta Dilma Rousseff fala sobre sua participação na Cúpula do G20, na França. Além de defender uma saída para a crise baseada no crescimento e no emprego, destacou o reconhecimento dos países do G20 sobre a importância de uma rede de proteção para as populações extremamente pobres, como faz o Brasil

Rádio Nacional, 04 de novembro de 2011

 

Luciano Seixas: Olá, eu sou Luciano Seixas, e estou aqui para mais um Café com a Presidenta Dilma Rousseff. Bom dia, Presidenta!

Presidenta: Bom dia, Luciano! Bom dia aos nossos ouvintes!

Luciano Seixas: Presidenta, na semana passada, a senhora participou, na França, da reunião do G20, que discutiu saídas para a crise mundial. Qual foi o recado do Brasil nas conversas?

Presidenta: Olha, Luciano, nossa mensagem no G20, o grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, foi muito clara: a crise econômica mundial, que está abalando, principalmente, os países da Europa e os Estados Unidos, não pode ser resolvida com desemprego, Luciano, e muito menos com a redução dos direitos trabalhistas. A questão do desemprego é extremamente preocupante. Atingiu, no mundo, 200 milhões de pessoas. O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho estava preocupadíssimo com o fato de que, nesses 200 milhões de desempregados no mundo, a grande maioria era de jovens. Mas é bom lembrar, Luciano, que a situação do Brasil é completamente diferente. Aqui, nós estamos trabalhando perto do pleno emprego. Entre janeiro e setembro deste ano, foram criados mais de 2,079 milhões de empregos com carteira assinada. Você sabe por que, Luciano, estamos em uma situação melhor do que os outros países diante da crise internacional? É que, em 2008, quando essa crise começou, o Brasil optou pelo crescimento e pela consolidação do mercado interno, e não pela recessão.

Luciano Seixas: E como a senhora avalia a proposta da Organização Internacional do Trabalho de criação, em todos os países, de um programa de garantia de renda – uma espécie de Bolsa Família mundial?

Presidenta: Com muito orgulho, sabe por quê? Essa proposta que a OIT chama de Piso Mundial de Proteção Social, é muito parecida com as políticas sociais que adotamos no Brasil nos últimos nove anos. A própria OIT reconhece que se inspirou, em parte, no Bolsa Família e no programa Brasil sem Miséria. E no documento final da reunião do G20, os países todos reconheceram a importância de uma rede de proteção para as populações extremamente pobres do mundo. É claro, Luciano, que essa iniciativa tem que ser adaptada à realidade de cada país. E se os países se dedicam a resgatar os seus bancos, podem muito bem oferecer renda para uma família em estado de pobreza extrema. E isso não é filantropia, é uma oportunidade para ela superar as dificuldades.

Luciano Seixas: O Brasil foi citado no comunicado final do G20 como um dos países de economia sólida. Isso quer dizer que a crise mundial não vai afetar o país, Presidenta?

Presidenta: Olha, Luciano, a crise surgiu nos países ricos, foi gerada por um descontrole sobre o sistema financeiro, sobre os bancos desses países. Mas esses países, em uma economia como é a atual, uma economia globalizada, têm muita influência sobre o cenário mundial. Mas o que é diferente entre nós e os países ricos que estão em crise é que nós temos uma economia sólida, temos bancos sólidos, controlados e regulados, o nosso orçamento está equilibrado, o Brasil não possui uma dívida elevada – pelo contrário, nós temos uma reserva de US$ 350 bilhões – o que impede que outros venham aqui querer especular conosco. E, por isso, eu sempre digo que os países emergentes têm melhores condições de enfrentar a crise.

Luciano Seixas: Presidenta, como foram as reuniões bilaterais com os chefes de Estado que estavam no G20?

Presidenta: Estive com o presidente da China, a primeira-ministra da Alemanha, da Austrália, de Cingapura, da Turquia, da Índia, o presidente da Rússia e o presidente da África do Sul. Todos concordaram que essa crise não só não pode ser tratada com recessão – mais recessão – porque aí o mundo entra em uma crise sem fim. E o grande desafio para essa crise é o caminho para retomar o crescimento: o caminho do investimento, do consumo e da geração de empregos. Todos concordaram que nós temos de ajudar, fazendo a nossa parte. Ninguém ganha com a crise. Até agora, os países emergentes vêm sustentando o crescimento da economia mundial. Eles também reduziram um pouco o seu crescimento, porque foram atingidos por efeitos indiretos. Mas quem sustenta o crescimento mundial são esses países, somos nós. Os brasileiros podem estar certos de que o governo vai continuar atento para evitar qualquer efeito mais grave da crise internacional sobre o Brasil. Vamos continuar gerando emprego e renda, vamos continuar mantendo as nossas finanças sólidas, vamos continuar com as nossas reservas, continuar produzindo na agricultura, no setor de serviços e na indústria. Vamos continuar gerando emprego, Luciano, e garantindo oportunidades para o nosso povo.

Luciano Seixas: Presidenta, nosso tempo chegou ao fim. Obrigado por mais esse Café.

Presidenta: Muito obrigada, Luciano. E uma boa semana para os nossos ouvintes.

Luciano Seixas: Você pode acessar este programa na internet, o endereço é www.cafe.ebc.com.br. Voltamos segunda-feira, até lá!

 

Ouça a íntegra da entrevista (06min07s) da Presidenta Dilma