Você está aqui: Página Inicial > Mandatos de Dilma Rousseff (2011-2015 e 2015-2016) > Café com a Presidenta > Café com a Presidenta > Programa de rádio “Café com a Presidenta”, com a Presidenta da República, Dilma Rousseff

Programa de rádio “Café com a Presidenta”, com a Presidenta da República, Dilma Rousseff

por Portal Planalto publicado 18/11/2013 08h55, última modificação 03/11/2014 17h29
Presidenta Dilma fala sobre os dez anos do Programa Luz para Todos

 

Rádio Nacional, 18 de novembro de 2013

 

Luciano Seixas: Olá, você em todo o Brasil, eu sou o Luciano Seixas e começa agora mais um “Café” com a presidenta Dilma. Bom dia, Presidenta! 

Presidenta: Bom dia, Luciano! E bom dia para você que nos acompanha aqui no “Café” hoje!


Luciano Seixas: Presidenta, o programa Luz para Todos completou dez anos na semana passada. Conta para a gente, Presidenta, os resultados desse grande programa que vem transformando a vida de milhões de pessoas em todo o Brasil ao levar energia elétrica para suas casas.


Presidenta: Olha, Luciano, desde que o Luz para Todos foi lançado, em 2003, nós já levamos energia elétrica para 15 milhões de pessoas, ou seja, 3,1 milhões de famílias na área rural, no país inteiro. Vamos beneficiar ainda mais famílias, Luciano, porque a nossa meta agora é chegar, até o final do meu governo, a 3,37 milhões de famílias atendidas. Sabe, Luciano, nós começamos o programa Luz para Todos prevendo atender 2 milhões de famílias. À medida que as distribuidoras de energia chegavam nos lugares mais distantes para fazer as ligações do Luz para Todos, nós fomos descobrindo que havia mais famílias sem luz do que os dados do censo do ano de 2000 indicavam. Então descobrimos, Luciano, mais 1 milhão de famílias que precisavam ser atendidas. Depois, quando os dados do censo de 2010 ficaram prontos, nós fizemos uma nova avaliação do número de famílias vivendo sem acesso à energia elétrica. É por isso, Luciano, que o Luz para Todos passou a ter a meta de atender aos 3,37 milhões de famílias que eu te falei, e também decidimos continuar com o programa em meu governo para que nenhuma família ficasse sem energia elétrica.


Luciano Seixas: É muita gente sendo beneficiada, Presidenta!


Presidenta: É verdade, Luciano. Essas 3,1 milhões de famílias que já foram atendidas pelo Luz para Todos não tinham luz em suas casas. Eram famílias de agricultores que não tinham como usar a eletricidade em suas propriedades. Você já imaginou, Luciano, como é a vida de quem não tem luz elétrica em casa? Essas pessoas viviam à base da vela, da lamparina e do candeeiro. Era uma vida de muitas dificuldades, de muito sacrifício, Luciano, uma vida na escuridão. Foi por isso que, em 2003, quando eu era ministra de Minas e Energia lá no governo do presidente Lula, nós decidimos que era hora de mudar essa situação, que era hora do Brasil dar um salto e trabalhar para levar energia elétrica aos lugares mais distantes e mais isolados. Foi um desafio imenso, Luciano, mas nós fomos em frente com muita determinação e criamos o Luz para Todos, e com ele, com o Luz para Todos, levamos dignidade, prosperidade e uma vida melhor para os brasileiros e as brasileiras que passaram décadas, por várias gerações, sem ter luz elétrica em casa. Imagina só, Luciano, que as casas beneficiadas pelo Luz para Todos agora podem ter uma geladeira, um chuveiro elétrico, uma televisão, uma máquina de lavar, um liquidificador e todos os outros eletrodomésticos que dão conforto a todos nós. Nessas comunidades, Luciano, as escolas começaram a funcionar de noite, os postos de saúde passaram a armazenar vacinas e soros, e até a saúde da população melhorou porque, entre outras coisas, o alimento não precisa mais ser conservado no sal, pode-se ter uma geladeira ou um freezer. Nas pequenas comunidades rurais deste país, Luciano, o agricultor agora pode ter um resfriador de leite, um moinho ou uma bomba-d'água. Tudo mudou!


Luciano Seixas: Por isso é tão importante a continuação do Luz para Todos levando luz para mais comunidades afastadas, não é, Presidenta?


Presidenta: Isso mesmo, Luciano. Só no meu governo, para você ter uma ideia, o Luz para Todos já beneficiou 1,7 milhão de pessoas. Estamos, como sempre, atendendo e buscando as famílias mais pobres do país, as famílias do Brasil sem Miséria, os assentamentos rurais e as comunidades indígenas e quilombolas. Olha só, Luciano, lá na Ilha de Marambaia, no litoral do Rio de Janeiro, por exemplo, a luz elétrica chegou há dois anos, beneficiando 90 famílias de quilombolas. Essas famílias passaram a vida sem luz, usando lampiões, bateria de carros e até pequenos geradores para ligar apenas uma luz em casa à noite. Sem energia, essas famílias, que vivem da pesca, tinham que vender todo o peixe de uma vez só para os atravessadores, a um preço muito baixo. Agora, com a energia elétrica do Luz para Todos, pouco a pouco as famílias foram comprando geladeiras e freezers, e passaram a armazenar e vender o que pescam diretamente para os consumidores, e assim, a um preço mais justo. Imagina só, Luciano, como isso melhora a vida e a renda para todos eles. 

Luciano Seixas: E ainda tem famílias que precisam ser beneficiadas pelo Luz para Todos, Presidenta?


Presidenta: Tem, sim, Luciano. Em 2010, o censo do IBGE indicou que mais 716 mil famílias ainda viviam sem energia elétrica no Brasil. Nós já atendemos mais da metade dessas 716 mil famílias. Agora o nosso desafio é levar luz elétrica para as 280 mil famílias que ainda falta. Muitas vezes, Luciano, é preciso atravessar florestas e rios carregando postes, fios e transformadores no lombo de burros, em canoas ou até em helicópteros, passando cabos por baixo da água dos rios e do mar. Só para você ter uma ideia, Luciano, o Luz para Todos já instalou 88 quilômetros de cabos subaquáticos, tanto nos rios que cortam o nosso país quanto no mar. Esse é um esforço que vale a pena, porque nós sabemos como a chegada da luz elétrica muda a vida de todos e cria novas oportunidades.


Luciano Seixas: Pois é, a luz elétrica aumenta mesmo as chances para as pessoas trabalharem e terem uma renda, não é, Presidenta?


Presidenta: É isso aí, Luciano! Veja a história da comunidade Nossa Senhora de Fátima, que fica lá na região de Manaus, no Amazonas. Os ribeirinhos da comunidade trabalhavam na coleta do cupuaçu e vendiam o cupuaçu para os atravessadores, in natura, Luciano, do mesmo jeito que os quilombolas lá da Ilha de Marambaia que eu te contei há pouco. Com a chegada da luz elétrica na comunidade de Fátima, eles formaram uma cooperativa, conseguiram crédito e compraram um freezer para armazenar o cupuaçu. Depois, Luciano, eles compraram outro freezer e depois mais outro, e assim foram progredindo. E não parou aí, não. Em 2011, os ribeirinhos montaram uma pequena indústria para transformar a fruta em polpa. Hoje, além do cupuaçu, eles trabalham com mais oito tipos de fruta e os freezers foram substituídos por uma câmara frigorífica para armazenar tudo o que eles produzem. E veja só, 50 ribeirinhos tiram desse negócio o sustento de suas famílias. E pensar, Luciano, que tudo isso começou com a chegada da energia elétrica pelo programa Luz para Todos!


Luciano Seixas: Presidenta, e quando não dá para instalar as redes de energia no local, como é que faz para levar a luz?


Presidenta: Ah, Luciano, nós lançamos mão das mais variadas soluções para levar luz por este Brasil afora. Por exemplo, se não dá para puxar uma rede com postes porque o lugar é muito distante, as empresas estaduais de energia montam sistemas que usam energia solar junto com a energia eólica, que é aquela energia produzida pela força do vento. No caso desses dois sistemas não darem conta de gerar toda a energia que a comunidade precisa, ela é complementada por geradores a diesel. É assim, por exemplo, lá na Ilha dos Lençóis, no Maranhão, onde uma comunidade com cem famílias é abastecida por esse sistema. Outro exemplo é o sistema de 12 miniusinas de energia solar que nós montamos lá no interior do Amazonas para garantir luz elétrica a 220 famílias nos municípios de Novo Airão, Eirunepé, Barcelos, Autazes, Maués e Beruri. 

Luciano Seixas: Interessante, Presidenta! Agora explica uma coisa, quem paga pela instalação da energia elétrica nesses lugares mais distantes?


Presidenta: Olha, Luciano, os custos da instalação são pagos, na maior parte, pelo governo federal, e uma pequena parte é complementada pelas empresas distribuidoras de energia elétrica. As famílias não pagam nada, só pagam a conta de luz no final do mês, que é essa que todo mundo paga. Essas famílias, aliás, pagam uma conta de luz menor porque, em sua grande maioria, são beneficiadas com a tarifa rural, que tem subsídio de 70%, ou com a tarifa social de energia. Para levar energia a essas 15 milhões de pessoas que viviam sem luz elétrica, o país investiu, nesses dez anos, mais de 20 bilhões de reais no Luz para Todos. Pois é, Luciano, esse investimento significa uma extraordinária mudança de vida para milhões e milhões de brasileiros e brasileiras. Significa, Luciano, dignidade, uma casa mais confortável, água quente, comida bem conservada. Significa, Luciano, a possibilidade de estudar ou ler à noite, significa a oportunidade de aumentar a renda da família utilizando a energia elétrica. Enfim, Luciano, significa muita coisa. A família que tem luz em casa dá um salto enorme em direção a um futuro de mais prosperidade, e é isso que nós queremos para todos.


Luciano Seixas: Com certeza, Presidenta! Agora, a conversa está boa, mas, infelizmente, o nosso tempo chegou ao fim. Obrigado por mais este “Café”.


Presidenta: Obrigada a você, Luciano. Uma boa semana e um abraço para os nossos ouvintes. Até a semana que vem.


Luciano Seixas: Você que nos ouve pode acessar o “Café com a Presidenta” na internet, o endereço é www.cafe.ebc.com.br. Nós voltamos na próxima segunda-feira. Até lá!

 

Ouça a íntegra (11min10s) da entrevista da Presidenta Dilma