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Programa de rádio “Café com a Presidenta”, com a Presidenta da República, Dilma Rousseff

por Portal Planalto publicado 21/04/2014 08h02, última modificação 03/11/2014 17h27
Dilma fala sobre a retomada da indústria naval, que chegou a 80 mil empregos

Rádio Nacional, 21/4/2014.

Apresentador: Olá, você, em todo o Brasil, eu sou o Luciano Seixas e começa agora mais um Café com a Presidenta Dilma. Bom dia, presidenta? 

Presidenta: Bom dia, Luciano? E bom dia para você que nos acompanha aqui no Café! 

Apresentador: Presidenta, na semana passada, a senhora esteve em Pernambuco para a viagem inaugural do navio Dragão do Mar e o batismo do navio Henrique Dias. Conta um pouco para a gente sobre a indústria naval brasileira, presidenta. 

Presidenta: Olha, Luciano, lá em Ipojuca, em Pernambuco, eu estive em um grande estaleiro, que nem mesmo existia dez anos atrás, e que agora, Luciano, produz navios gigantescos e plataformas para a produção de petróleo. Com emoção e orgulho, pude comprovar mais uma vez a capacidade do Brasil de construir estaleiros, produzir navios, produzir plataformas e ter uma indústria naval forte e competitiva, que agora gera empregos e garante renda a milhares de trabalhadores e suas famílias aqui no Brasil. O mais emocionante, sabe, Luciano, é ver homens e mulheres que trabalhavam precariamente como cortadores de cana, subempregados da periferia de Recife, empregadas domésticas sem direitos trabalhistas e que, hoje, melhor capacitados e remunerados, com todos os seus direitos protegidos, ganham seu sustento nos estaleiros do Nordeste, uma região a que muitos julgavam ser impossível levar a industrialização. Grande engano, pois hoje, o estaleiro está lá e a produção de navios já está a todo vapor. Nós entregamos dois navios: o Dragão do Mar e batizamos o Henrique Dias. O Brasil, hoje, sabe, Luciano, tem uma indústria naval forte, pujante, que emprega quase 80 mil trabalhadores espalhados pelos estaleiros no Nordeste, no Sudeste e no Sul. E em 2017, segundo as previsões, serão 100 mil trabalhadores contratados na indústria naval. Veja bem, Luciano, 100 mil empregos diretos. Sabe quantos empregos existiam na indústria naval em 2003? Sete mil, quatrocentos e sessenta e cinco. Ou seja, até 2003, a indústria naval brasileira estava desaparecendo. Os poucos estaleiros que restavam faziam apenas pequenos consertos nas plataformas e nos navios. Agora, Luciano, ela foi multiplicada por dez. 

Apresentador: E como esse quadro mudou? 

Presidenta: Olha, Luciano, quando o presidente Lula assumiu, ele fez uma escolha que mudou a história. Decidiu que o que puder ser produzido no Brasil, deveria ser produzido aqui. Decidiu também que a Petrobras passaria a priorizar o produto nacional, a fazer encomendas de navios e plataformas em estaleiros nacionais, criar empregos aqui e não lá fora. Graças à política de compras da Petrobras iniciada no governo Lula e desenvolvida no meu governo, renasceu uma indústria naval dinâmica e competitiva, que irá disputar o mercado com as maiores indústrias navais do mundo. 

Apresentador: Explique melhor essa política de compras, presidenta. 

Presidenta: Nós decidimos que as compras da Petrobras deveriam ser feitas preferencialmente em indústrias que produzissem no Brasil, para gerar, aqui, crescimento industrial e emprego. O nosso lema é: fazer no Brasil porque temos capacidade para fazer. Assim, o que a Petrobras comprava lá fora passou a ser feito aqui no Brasil por trabalhadores brasileiros. Isso se chama política de conteúdo nacional. Com essa decisão, Luciano, além da riqueza do petróleo, o Brasil passou a ter uma indústria naval poderosa, desenvolveu uma cadeia de fornecedores. Nos últimos dez anos, dez estaleiros para a construção de plataformas e sondas de perfuração entraram em operação no Brasil. No ano passado, a construção naval brasileira entregou volume recorde de navios e plataformas de petróleo. Foram sete plataformas de produção, dois navios petroleiros de grande porte, 21 navios de apoio marítimo, dez rebocadores portuários e 44 barcaças de transporte. Só em 2014, estão em construção ou contratados para serem construídos aqui no Brasil 18 plataformas, 28 sondas de perfuração e 43 navios-tanque. 

Apresentador: Presidenta, quais são as perspectivas para a indústria naval com a exploração do pré-sal? 

Presidenta: São fantásticas, Luciano. Inclusive, muitas empresas estrangeiras estão vindo se instalar no Brasil para produzir aqui as peças e os equipamentos necessários para a exploração do petróleo da camada pré-sal. Isso porque vão ser necessários 88 navios, 198 barcos de apoio e 28 sondas de perfuração até 2020. Só de plataforma, Luciano, serão necessárias 31, sem contar as 12 que serão usadas para explorar somente o Campo de Libra. Você veja, Luciano, são números fantásticos, grandiosos. O Brasil também vai avançar em tecnologia e inovação na indústria de petróleo e gás. Com os investimentos em pesquisa e desenvolvimento que as petroleiras são obrigadas a fazer aqui no país para poder explorar o nosso petróleo, nós vamos incorporar mais conhecimento, mais know-how à nossa produção de bens e equipamentos, o que será muito importante para superarmos os desafios da exploração do pré-sal. Luciano, veja você, a indústria naval tem uma imensa capacidade de gerar riquezas. Com o esforço de nossos trabalhadores, a iniciativa de nossos empresários e o apoio de todos aqueles que acreditam no Brasil, conseguimos reconstruir a indústria naval brasileira. 

Apresentador: Presidenta, infelizmente, o nosso tempo acabou. Obrigado por mais esse Café com a Presidenta. 

Presidenta: Luciano, como mineira e brasileira, eu quero lembrar que hoje é o Dia de Tiradentes, símbolo da luta por um Brasil melhor, altivo e independente. Tiradentes uma vez disse: "Se todos quisermos, poderemos fazer deste país uma grande nação. Vamos fazê-la". O renascimento da indústria naval brasileira mostra que Tiradentes tinha muita razão. Aproveitem o feriado e até a próxima semana. 

Apresentador: Você que nos ouve pode acessar o Café com a Presidenta na internet, o endereço é www.brasil.gov.br. Nós voltamos na próxima segunda-feira. Até lá!


Ouça a íntegra da entrevista (06min45s) da Presidenta Dilma