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Artigo da Presidenta da República, Dilma Rousseff, para o jornal The Times of India - versão em português

por Portal do Planalto publicado 02/04/2012 13h41, última modificação 02/04/2012 13h47
"Brasil e Índia são duas economias emergentes e dinâmicas, comprometidas em equilibrar seu crescimento com o desafio constante da distribuição de renda e da inclusão social", disse a Presidenta

Publicado em 29 de março de 2012

 

Com enorme satisfação – e com muita expectativa – visito a Índia pela primeira vez como Presidenta do Brasil.

Distantes na geografia, nossos países compartilham experiências únicas por  sermos nações multiculturais, multiétnicas,  multirreligiosas e democráticas. Mas não só. Índia e Brasil são exemplos para o mundo pelo gigantesco processo interno de ascensão social, que levou dezenas de milhões de famílias a se incorporarem no mercado de consumo através da geração de oportunidades para todos. Em um tempo no qual se discute crise econômica, perda de empregos e recessão, Brasil e Índia despontam como  modelo de crescimento.

É nesse quadro que tive a satisfação de aceitar o honroso convite do Primeiro-Ministro Manmohan Singh para realizar, em seguida à Cúpula BRICS, visita de Estado à Índia. Será para mim um privilégio representar o Brasil como convidada de honra do Governo da Índia e prestar, na capital Nova Delhi, homenagem a Mahatma Gandhi, símbolo de uma visão revolucionária de afirmação das identidades nacionais.

Esta visita permite que nossos países consolidem uma agenda bilateral substantiva e reforcem princípios similares de política externa, incluindo a defesa firme dos interesses de nossas populações mais pobres, o estimulo ao desenvolvimento econômico sustentável e uma insersão externa independente que reflita o novo quadro mundial. É por tudo isto que Brasil e Índia mantêm convergências firmes pela reforma de organismos internacionais, seja pela ampliação dos representantes do Conselho de Segurança da ONU e por um novo modelo de responsabilidades  no FMI, seja  pela criação de novos fóruns de discussão de alto nível como o G-20, o Ibas/Basic e o Brics, cuja quarta edição ocorre nesta semana em sua capital.

Esta nova reunião dos líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul é uma demonstração inequívoca de como a parceria de países geograficamente distantes e com desafios sociais e econômicos distintos pode gerar uma convergência que altera o eixo da política internacional. Os países do BRICS contêm cerca de um terço da população e 20% do PIB mundial. Nossas economias e mercados contam com enorme potencial para beneficiar-se reciprocamente. O comércio entre os países do BRICS cresceu  de US$ 27 bilhões em 20O2 para US$ 212 bilhões em 2010. Neste ano, devemos chegar a US$ 250 bilhões. Os países  BRICS vão responder por 56% do crescimento mundial neste ano. Neste fórum, Brasil e Índia tem compartilhado seus pontos de vista e ampliado suas parcerias.

Brasil e Índia mantêm relações diplomáticas desde 1948, mas apenas no século 21 é que se deu o inicio efetivo da nossa integração. Neste período, nossos países já assinaram mais de trinta instrumentos bilaterais, da área científica à comercial. Em dez anos, o fluxo comercial saltou de US$500 milhões em 199 para US$9,3 bilhões no ano passado, um aumento de quase 2.000% Este volume coloca a Índia como décimo-segundo parceiro comercial do Brasil, uma posição de destaque, mas que obviamente não reflete o dinamismo de nossas economias. Há muito o que fazer.

Recentemente a Embrapa e o Indian Council for Agriculture (ICAR) fecharam parceria para a troca de experiências no estratégico setor de produção de alimentos e pesquisas de biotecnologia. Conhecendo o exitoso trabalho da Embrapa na seleção de mudas e ampliação de produção em regiões de clima e solo similares aos indianos, tenho certeza que esta parceria trará frutos para os dois paises.

No setor de defesa, encontra-se em curso projeto pioneiro de integração de nossas tecnologias: a instalação de radares indianos de vigilância aérea em aviões brasileiros modelo Embraer E-145. O primeiro desses aviões deverá fazer seu vôo inaugural em menos de um mês. Na área de saúde, por meio do Conselho Científico Brasil-Índia realizamos projetos conjuntos nas áreas de Parasitologia (leishmanioses e malária), Microbiologia (tuberculose) e Virologia (HIV/AIDS).

Entre os grandes exemplos que a Índia ofereceu ao mundo recentemente, chama a atenção o salto qualititativo na educação e na pesquisa científica, notadamente na tecnologia da informação. Por isto, é para o Brasil uma grande oportunidade firmar durante esta visita oficial um convênio dentro do nosso programa “Ciência sem Fronteiras”, pelo qual professores e estudantes brasileiros terão oportunidade de estudar em universidades indianas, assim como as portas de nossas instituições de ensino estarão abertas aos indianos. Pretendemos ainda ampliar o fluxo turístico, para que mais brasileiros e indianos tenham a chance de desfrutar de nossas belezas naturais, nossa gastronomia singular e da alegria de nossos povos.

Nesta visita, pretendemos acelerar esta convergência em outras áreas, como a do meio ambiente. A Convenção sobre Diversidade Biológica, a ser realizada na Índia, e a Conferência da ONU para Meio Ambiente - Rio +20, são oportunidades inestimáveis para nossos países demonstrarem seu compromisso com o desenvolvimento econômico sustentável, que proteja o meio ambiente e acelere a inclusão social dos mais pobres.

Brasil e Índia são duas economias emergentes e dinâmicas, comprometidas em equilibrar seu crescimento com o desafio constante da distribuição de renda e da inclusão social. Trilhamos um longo caminho no passado recente e o fato de nossa aproximação ter-se tornado tão mais intensa nesse mesmo período não é simples obra do acaso. Distantes na geografia, Brasil e Índia são parceiros estratégicos de uma nova visão de mundo, inclusiva, soberana e democrática.